Senta aqui no colo do tio, "blogosfera"

Ontem este humilde blogueiro perdeu uma de suas fontes prediletas de diversão. O “blogue” do Paulo Henrique Amorim saiu do ar, snif, snif... O sábio que nos informava, entre uma ou outra saudação ridícula, sobre o novo livro da Glorinha Kalil e sobre um tal de Partido da Imprensa Golpista fez o famoso acordo com o IG: a empresa entrou com o pé e ele entrou com a bunda.
Desde o começo da briga/suruba entre Nassif, PHA, Reinaldo Azevedo, Gerald Thomas e sei lá mais quem, o mais triste não foi ser obrigado a ler pérolas como “PIG” ou “Petralhas” ou “Sou gente boa”, no caso do Nassif. O mais decepcionante foi ver como a “blogosfera” – ô palavrinha feia -, sempre na vanguarda, alternativa e supostamente acabando com a dita grande imprensa, caiu de joelhos ao primeiro sinal de “opa, vou chutar cachorro grande”. Na canela, só se for.
Cada blogue tem uma teoria da conspiração para chamar de sua. É a Oi, é a Brasil Telecom, é o Dantas, é o dono do boteco aqui da esquina, é a puta que o pariu. Muito bem, palmas para os que pretendem acabar com a “grande imprensa” e instituir a livre informação. Livre informação, aliás, que se não for livre das pautas obrigatórias semeadas pelos luminares do teclado – ou da Olivetti, em casos isolados -, não servirá para PORRA NENHUMA.
Quando o Estadão fez aquela campanha comparando blogueiros a macacos todo mundo subiu no galho. Este que aqui escreve inclusive. Uma das linhas era a de que um jornal, que tem até um portal e blogs nele hospedados, não pode ignorar a ferramenta (epa!). Pois bem. Enquanto eles pareciam ignorar a ferramenta, tudo estava muito alternativo na “blogosfera”. Quando a barra-pesada chegou, a pauta virou qual? A deles.
Jornalistas que estão por aí desde que Gutemberg ainda estava testando aquela geringonça hoje ditam o rumo da “ferramenta” que até pouquíssimo tempo nem sabiam que existia. A “intelectualidade” brasileira já provou que ninguém larga o osso com facilidade. Quem impediu duas gerações de irem adiante sempre dizendo que não valiam nada e que no tempo deles é que era bom, hoje está tentando abafar mais uma, consciente ou inconscientemente.
Um lutou na Libelu e vai na base do "naquele tempo, sim, é que tínhamos resistência". Sei. Outro tenta se esquivar de um passado de sacanagens dando uma de bom velhinho agora. “Olha, moçada, agora eu sou o tiozinho antenado, aquela figura simpática que xinga a Veja e escreve o que vocês querem ler. Vamos tomar um chopinho? Vocês pagam, tá?”. Vou ali vomitar e já volto.
Aí o leitor, se é que alguém lê isso aqui além do Fabrício, que caiu na besteira de assinar o RSS, vai dizer: “Ah, espertão, mas você também está na pauta deles”. Sim, estou. Só que eu não estou na pauta deles para poder dizer pros meus amiguinhos que “o meu blogue dá um pau no Gerald Thomas” ou “olha, gatinha, eu tive 32 comentários porque chamei o Mino Carta de idiota governista. Dê para mim”. Tou na pauta deles pra tentar tirar de vez da garganta esse gosto de amargo que bate a cada vez que eu vejo uma coisa que poderia servir definitivamente para extinguir os dinossauros no Brasil virar só mais um meio de alimentar os paquidermes.